Aldo Baldin
Festival é uma homenagem da Pró-Música ao catarinense que foi topo mundial do canto lírico
O Festival Aldo Baldin
A programação do Festival Aldo Baldin faz parte da Temporada da Pró-Música e traz diversos eventos: Concerto de Abertura, aula aberta (interpretação e repertório de Ópera e Câmara com profissionais convidados; Concurso Nacional de Canto, Recital; Apresentação de vídeo da ópera a ser encenada, com palestrante convidado; Entrega do troféu Aldo Baldin a uma personalidade de canto do Brasil.
Outros objetivos
Desmistificar o canto lírico como sendo algo direcionado apenas para uma elite, oferecendo para todas as classes sociais, o conhecimento a apreciação do canto lírico.
Oportunizar o público catarinense à apreciação de performances musicais de jovens cantores líricos no Festival de Canto Aldo Baldin.
O concurso de Canto Aldo Baldin possui como objetivo principal a revelação de novos talentos do canto lírico no Brasil.
Oferecer oportunidade para jovens estudantes e profissionais demonstrarem em um concurso de canto sua capacidade interpretativa e técnica frente a obras musicais de importante valor técnico-musical.
Reafirmar através de mais uma edição deste Festival a importância do mesmo para o cenário musical do Brasil, em especial o cenário lírico.
Reafirmar a excelência de Florianópolis como uma expoente e pólo cultural no desenvolvimento e incentivo do canto lírico.
Aldo Baldin
Aldo Baldin nasceu em Urussanga, Santa Catarina, em 1º de janeiro de 1945. Sua forte inclinação para a música o levaria a uma vertiginosa carreira, com dezenas de condecorações. Sua trajetória tem início no Rio Grande do Sul, seguindo para o Rio de Janeiro, Frankfurt (Alemanha), vencendo o “Concurso das Escolas Superiores de Música da Alemanha” e onde viria a exercer a carreira de professor catedrático da Universidade de Karlsruhe; segue para Barcelona (Espanha), onde vence o “Concurso Internacional de Canto Francisco Viñas” além de conquistar a Medalha de Ouro pela melhor interpretação de música brasileira; volta para a Alemanha contratado para as temporadas de ópera do Pfalztheater Kaizerlauten. Em Buenos Aires faz sua estréia no Teatro Colón e poucos anos depois no Scalla de Milão. É contratado pela Deutsche Oper de Berlim. Sua agenda de concertos, sempre lotada com dois anos de antecedência (cerca de 100 concertos por ano, além de gravações), o levou a apresentar-se na Itália, Portugal, Espanha, Áustria, Suíça, Luxembugo, Holanda, Inglaterra, França, Bélgica, Polônia, Estados Unidos, Brasil, Uruguai, Argentina, Norte da África e Austrália. No Brasil, foi a estrela dos Festivais de Curitiba, Ouro Preto e Campos do Jordão. O mesmo aconteceu com os festivais de Santiago de Compostela (Espanha), Saint Denis (Paris), Aix de Provence (França), Flandern Festival (Bélgica), Festival Bach (Londres), Salzburg, Tóquio, Londres e Tanglewood (EUA). Aldo Baldin atuou como solista das mais importantes orquestras do mundo e também cantou ao lado de grandes astros do mundo lírico internacional. Aldo faleceu em 6 de janeiro de 1994, na cidade de Waldbronn, Alemanha, deixando um legado inigualável. Poucos tenores contaram com um repertório tão abrangente, seja na música de câmara ou na cena lírica (cerca de 60 papéis em óperas contabilizando mais de 500 apresentações e 300 títulos no repertório dos oratórios) além de impressionante número de gravações realizadas no exterior: 150, das quais mais de 60 foram lançadas em CDs. São mais de 1000 obras entre gravações para as rádios e para redes de televisão na Alemanha, Luxemburgo, Holanda, Itália, Portugal, Espanha, Venezuela e Brasil.
“Conheci Aldo Baldin em abril de 1970 quando o convidei para participar do Concerto Comemorativo do 10º Aniversário da Associação Coral de Florianópolis como solista da Missa da Coroação de Mozart. A partir daí, criou-se uma grande amizade, fazendo com que Aldo passasse a se hospedar em minha casa – ele e sua família – toda vez que vinha a Florianópolis. Ao longo dos anos seguintes, Aldo Baldin participou como solista de inúmeros espetáculos da Pró-Música. Nascido em Urussanga em 1945, se uma humilde família de agricultores, graças a seu extraordinário talento musical e sua ousada determinação, Aldo se tornou um dos grandes nomes do canto lírico brasileiro. Ainda muito jovem, já viu seus esforços premiados com a colega de estudos e conterrânea Irene Flesch. A cidade de Karlsruhe tornou-se ponto de partida e chegada da vida intensa e agitada que envolve as grandes estrelas do mundo do espetáculo. Numa das vezes que se apresentaria em Florianópolis, já famoso, fiquei sabendo que os pais de Aldo nunca haviam assistido a um recital do filho. Providenciei, então, transporte para que eles pudessem vir de Urussanga para a capital. Naquela noite, além de todo o significado afetivo daquele encontro há muito esperado, um detalhe insólito surpreendeu e emocionou a todos nós: em sua simplicidade, o pai de Aldo Baldin, por não ter sapatos, tinha vindo de chinelos... Quando Aldo Baldin faleceu, em 1994, fiquei pensando que o músico de sua magnitude merecia ser lembrado para sempre. Tomava corpo a idéia da criação de um Festival e Concurso Nacional de Canto Lírico que levasse o nome de Aldo Baldin. Finalmente, em 1998, o sonho se concretizou...”. — Darcy Brasiliano dos Santos, Presidente da Pró-Música
“Numa das suas últimas vezes em que nos hospedamos na casa de seu Darcy, com toda nossa família naquele cantinho em frente à televisão, tomando suco de caju que dona Diva nos ofereceu, Aldo sugeriu a Darcy fazer um festival de canto lírico em Florianópolis. Por isso, me alegrei muito quando alguns anos depois, Darcy me conta do Festival: ele levou a sério a sugestão de Aldo! Para surpresa minha também estava no time a Neyde Coelho, que tinha sido minha colega em Blumenau. Quem criou o Festival, quem decidiu que fosse em Florianópolis, quem deu o primeiro impulso e as primeiras idéias foi o próprio Aldo. Foi um presente dele para Darcy, para a Pró-Música e para Florianópolis. Florianópolis tem hoje um Festival Nacional de Canto Lírico que nasceu ali no cantinho em frente à televisão na casa de seu Darcy”. — Irene Flesch Baldin
Extrato de Críticas
“O tenor Aldo Baldin com sua voz de belcanto italiano tem grande afinidade com a língua alemã, criando um colorido especial nas suas interpretações”
Frankfurt, 1971
“O quarteto de solistas esteve excelente. Destacou-se, porém, a voz do tenor brasileiro Aldo Baldin que mostrou suas grandes qualidades vocais no que toca a liberdades e facilidade no registro agudo, dando ao quarteto um colorido ideal”
Londres, 1971
“O tenor Aldo Baldin cantou as Cantatas de Bach com soberania”
Munique, 1972
“O tenor Aldo Baldin possui uma voz teatral poderosa, de grande maleabilidade e expressividade em todos os difíceis papéis que interpreta”
Wiesbaden, 1972
“A grande e nova descoberta é o tenor Aldo Baldin. Sua voz tem brilho de ouro sobre uma base firme e acima de tudo é inteiramente maleável, conforme as reveladoras longas e difíceis coloraturas da ária “Frohe Hirten” de Bach”
Wiesbaden, 1972
“Não ouvimos nos últimos anos tenor de tão grande futuro”
Ansbach, 1973
“Aldo Baldin cantou com tal expressividade que no deu mais uma possibilidade de sentirmos o quanto é maravilhosa a música de Bach. Sua voz redonda e brilhante inundou toda a catedral”
Paris, 1973
“A musicalidade, interpretação e inteligência de Aldo Baldin, juntando-se a uma técnica perfeita, fazem dele um grande intérprete e, sem dúvida, o nosso cantor brasileiro!”
Rio de Janeiro, 1974
“Aldo Baldin é muito mais do que afirmam os críticos europeus. Sua técnica é completa. O timbre de voz revela uma personalidade excepcional. O registro é imenso. A dicção é clara e expressiva. Não diz uma sílaba sem intenções e não dá uma nota sem sentido musical”
Rio de Janeiro, 1974
“O tenor Aldo Baldin interpretou seu papel com grande expressão e dramaticidade, criando a mais comovente atmosfera das cenas da Paixão de Bach.”
Loreto, Itália
“O romantismo da poesia e da música encarnou-se na voz de Aldo Baldin. Interpretação pura, idiomática, sentida, vibrante e comunicativa... Que soberba lição de arte vocal”
São Paulo, 1974
“A voz do tenor Aldo Baldin conseguiu deixar marcas inesquecíveis no Teatro quando acabou de cantar o Benedictus (Bach)”
Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 1974
“Aldo Baldin brilhou pela sua interpretação emocionada. Uma Missa de Bach em excepcional versão”
Jornal La Nación, Buenos Aires, 1985
Galeria Aldo Baldin
Selecionamos algumas fotos de diversos momentos da carreira do tenor. Clique na imagem para ampliar.
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| Aldo Baldin (anos 90) |
No papel de Steuermann, na ópera O Navio Pirata, de Wagner |
No papel de Idamantes, na ópera Idameneo, de Mozart |
No papel de Dom Basílio, na ópera Nozze di Figaro, de Mozart (Teatro Municipal de São Paulo, 1979) |
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| Em foto de Harri Temler |
No papel de Alfredo, na ópera La Traviata, de Verdi (foto de Joachim Sipos) |
No papel de David, na ópera Os Mestres Cantores de Nürenberg, de Wagner (foto de Harri Irmler, Berlim, 1978) |
Prêmio Grammy concedido pela “National Academy of Recording Arts and Sciences” USA, como solista |
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Clique e ouça Aldo Baldin na faixa Der Asra, composição de Carl Loewe |
Condecorações
1979 — Registrado na enciclopédia “Who is Who” em foto, filme e TV, editora “Publishers for VIP Encyclopedias Corp. Delaware Usa”.
1981 — Diploma de Mérito “per la particolare rilevanza dell'opera svolta nel campo delle Arti”, concedido pela Università delle Arti, Salsomaggiore Terme, Itália.
1981 — Prêmio Grammy concedido pela “National Academy of Recording Arts and Sciences” USA, como solista (junto com Fischer-Dieskau e Edith Mathis) pela gravação da obra “A Criação” de Haydn para o selo Phillips com a orquestra Academy St. Martin in the Fields, sob a regência de Sir Neville Marriner. veja o certificado
1983 — Prêmio APCA- Associação Paulista de Críticos de Arte, como Melhor Cantor.
1986 — Diploma de Nominação para o Prêmio Grammy na categoria gravação de óperas pelo selo Phillips das “Bodas de Fígaro” de Mozart.
1987 — Medalha do Mérito Anita Garibaldi concedida pelo Estado de Santa Catarina.
1987 — Título de Mérito Cultural, concedido pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Retrospectivas
Festival Nacional de Canto Aldo Baldin
1996 — A Pró-Música de Florianópolis decidiu homenagear o tenor catarinense Aldo Baldin, que havia falecido em 1994 aos 49 anos de idade. Dois anos depois, a idéia se concretizou através da criação de um Festival anual de canto lírico que englobaria apresentações de solistas em forma de concerto, encenação de uma ópera e concurso para escolha dos respectivos solistas.
1998 — A primeira edição do Festival ocorreu em 1998, com a realização do dois concertos líricos, além de aulas de interpretação, palestra e recital de alunos.
1999 — Em 1999, durante o 2ª Festival Nacional de Canto Aldo Baldin, aconteceu pela primeira vez o Concurso para escolha dos solistas para os principais papéis da ópera, La traviatta (Verdi).
2000 — O ano de 2000 ficou marcado, portanto, como o da encenação de La Traviatta, a primeira ópera completa na história da Pró-Música. Dois elencos revezavam-se nas montagens, integrando os artistas convidados e os selecionados pelo Concurso.
2001 — A maior atração desse ano foi o Concerto Especial 100 Anos Verdi, homenageando o compositor italiano que foi um dos maiores nomes do cenário operístico de todos os tempos. E o Concurso escolheu os solistas de Madame Butterfly (Puccini), a ópera que faria parte da temporada do ano seguinte.
2002 — Ano da montagem da ópera Madame Butterfly, com a participação dos vencedores do concurso realizado no ano anterior e de solistas convidados. Cabe destacar, também, a participação da Orquestra Sinfônica da Porto Alegre – OSPA.
2003 — Ao contrário das edições anteriores, quando os solistas eram escolhidos num ano e a ópera seria montada apenas no ano seguinte, dessa vez tudo passou a ser feito na mesma temporada. Foi então promovido o Concurso para escolha dos solistas da Ópera Carmen (Bizet), que seria encenada logo a seguir, dois meses depois.
2004 — Dentro do mesmo molde, este ano o Festival promove o Concurso para escolha dos solistas da Cavalleria Rusticana (Mascagni) em setembro, e apresenta a ópera em novembro. Como parceiros fiéis do Festival e de outras realizações da Pró-Música, participam a Camerata Florianópolis e o Polyphonia Khoros, comandados, respectivamente, pelo mestro Jéferson Della Rocca e pela maestrina Mércia Mafra Ferreira. Cabe destacar a presença, também, do coro infantil Vozes do Divino, sob direção de Gilberto Bittencourt.
Alguns vencedores do Concurso Nacional de Canto Aldo Baldin
e Solistas Convidados
1999 — Concurso para escolha dos solistas de La Traviatta, que foi encenada em 2000. Vencedores do Concurso: "Violeta" (soprano): Kalinka Damiani e Cláudia Todorov; "Alfredo Germont" (tenor): Eduardo Itaborahy e Miguel Geraldi; "Giorgio Germont" (barítono): Rodolfo Giuliani e Sérgio Santos.
2001 — Concurso para escolha dos solistas de Madame Butterfly, encenada em 2002. Vencedores do Concurso: "Madame Butterfly" (soprano): Angélica Feital; "Pinkerton" (tenor): Paulo Mandarino e Richard Bauer; "Suzuki" (mezzo-soprano): Adriana Clis; "Sharpless" (barítono): Rodolfo Giuliani e Márcio Martins; "Goro" (tenor): Ricardo Castro. Solistas convidados: Eiko Sanda, soprano (Madame Butterfly), Magda Painno, mezzo-soprano (Suzuki).
2003 — Concurso para escolha dos solistas de Carmen, encenada no mesmo ano. Vencedores do Concurso: "Carmen" (mezzo-soprano): Fátima Castilho; "Don José" (tenor): Auildo Munhoz; "Micvaela" (soprano): Cristina Santi; "Escamillo" (barítono): Sérgio Santos. Solistas convidados: Regina Elena Mesquita, mezzo-soprano (Carmen), Marcos Aguiar, tenor (Don José), Silviane Bellato, soprano (Micaela), Eliel Carvalho, barítono (Escamillo).
O Troféu Aldo Baldin
Criado pela Pró-Música de Florianópolis especialmente para homenagear personalidades que se destacaram por seu trabalho na produção, criação ou divulgação do canto lírico em nosso país.
Contemplados
1998 — Nilza de Castro Tank, soprano (SP) e Vicente Amato Filho, diretor de teatro (SP)
1999 — Benito Maresca, professor de Canto (SP) e Neyde Thomas, professora de Canto (Curitiba)
2000 — João Povoa Filho, crítico de Ópera (SP) e Leonor Fucks, soprano (SC)
2001 — Marília Siegl, mezzo-soprano (SP) e Nelson Kunze, editor da revista Concerto (SP).
2002 — Lúcia Camargo, diretora de Teatro (SP) e Fernando Calvozo, diretor de Teatro (SP)
2003 — Helena de Oliveira, produtora Teatral (RJ) e Rio Novelo, Barítono (Curitiba)
Júri e Solistas
Nas várias edições do Concurso Nacional de Canto Aldo Baldin, Florianópolis teve a honra de apreciar estrelas do canto lírico de prestígio internacional que, além de encantar o público da capital nos concertos de abertura ou encerramento do Festival, também fizeram parte do júri que escolheu os solistas das óperas. Entre convidados do Brasil e do exterior, a Pró-Música já recebeu: Alberto Boris Laures (diretor artístico do Teatro Roma de Buenos Aires, Argentina); Cláudia Riccitelli (soprano paulista, aperfeiçoou-se nos Estados Unidos e atua em temporadas em vários países); Eiko Senda (soprano, natural do Japão, mora atualmente no Brasil. Foi considerada Melhor Jovem Cantora em Osaka, e desenvolveu carreira internacional, atuando em vários países); Eliel Carvalho (barítono, natural de São Paulo, reside atualmente em Madri, Espanha, onde desenvolveu carreira nas temporadas líricas; José Oliveira Lopes (presidente de Concursos Internacionais de Canto de Portugal); Juan Desiderio (barítono, crítico musical do jornal El País, de Montevidéu, Uruguai); Manoel Alvarez (barítono, Rio de Janeiro); Marcello Vannucci (tenor paulista, tem participado das temporadas internacionais da Ópera de São Paulo); Marcos Aguiar (tenor brasileiro que faz sucesso no exterior, principalmente nos Estados Unidos). |